A Apple, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, está no centro de uma investigação criminal na Bélgica devido a acusações de uso de “minerais de sangue” oriundos da República Democrática do Congo (RDC).
Esses materiais são extraídos em áreas controladas por grupos armados que financiam conflitos violentos e promovem graves violações de direitos humanos.
A investigação foi iniciada após uma denúncia apresentada pelo governo congolês em dezembro. Segundo os advogados da RDC, minerais como coltan, estanho, tungstênio e ouro – essenciais na fabricação de dispositivos como iPhones – são comprados de minas cujos lucros alimentam guerras no leste do Congo.
Em resposta, as autoridades belgas designaram um juiz para liderar o caso, enquanto a França, onde outra denúncia foi registrada, ainda está analisando os próximos passos.
A Apple nega as acusações e afirma que segue rígidos padrões de responsabilidade ao adquirir esses materiais. No entanto, a RDC aponta falhas nos processos de certificação utilizados por grandes empresas de tecnologia, que muitas vezes rotulam minerais de origem congolesa como provenientes de Ruanda, mascarando sua verdadeira procedência.
Uma recente investigação da ONU reforça a gravidade da questão, mostrando que rebeldes apoiados por Ruanda exportaram ilegalmente toneladas de coltan no último ano, controlando minas, transportes e até a tributação local.
A gigante da tecnologia também declarou que, a partir de 2024, suspendeu a compra de metais da RDC e Ruanda, enquanto busca adotar minerais reciclados em seus produtos.
Apesar disso, críticos enxergam essa mudança como uma admissão dos problemas em sua cadeia de suprimentos.
Paralelamente, o governo congolês pediu à União Europeia que reavalie um acordo assinado com Ruanda sobre mineração sustentável, alegando que o país não possui depósitos significativos desses minerais.
