Principais destaques
- Netflix autorizou uma janela de sete dias para que a Paramount tente apresentar uma proposta formal pela WBD
- A Warner Bros. Discovery mantém recomendação favorável ao acordo já assinado com a Netflix
- Estrutura da dívida e criação da Discovery Global estão no centro das divergências
A disputa pelo controle da Warner Bros. Discovery entrou em uma fase decisiva. A Netflix concedeu à Paramount Global um prazo restrito de sete dias para negociar com a WBD e, se possível, apresentar uma proposta rival concreta. O movimento reacende uma batalha corporativa que pode redefinir o mapa do entretenimento global.
Mesmo com a abertura para conversas, a Netflix sinalizou que não acredita em uma reviravolta. A empresa classificou o período como uma autorização limitada para resolver a situação de forma definitiva.
Já a WBD, comandada por David Zaslav, reforçou que continua recomendando aos acionistas a aprovação do acordo firmado com a gigante do streaming.
O que está em jogo na negociação
O acordo atual prevê que a Netflix fique com os estúdios Warner Bros. e os ativos de streaming da companhia. Paralelamente, a WBD separaria seus canais lineares de TV em uma nova empresa independente chamada Discovery Global, cujas ações seriam distribuídas aos atuais acionistas.
A Paramount, por sua vez, tenta adquirir toda a WBD. Nos bastidores, há indicação de que a empresa ligada a David Ellison estaria disposta a elevar sua oferta acima dos US$ 30 por ação inicialmente propostos.
O problema, segundo a WBD, é que essas sinalizações ainda não foram formalizadas de maneira clara e vinculante.
Outro ponto sensível é que a Netflix possui direitos de igualar qualquer proposta concorrente. Isso significa que, mesmo que a Paramount apresente uma oferta superior, a Netflix pode cobri-la e manter o acordo.
A dívida e o valor real para o acionista
A estrutura de endividamento da futura Discovery Global tornou-se um dos focos da disputa. A quantidade de dívida que ficará com essa nova empresa influencia diretamente o valor em dinheiro que a Netflix pagará aos acionistas da WBD.
Segundo informações divulgadas pela própria companhia, a redução da dívida líquida da Discovery Global pode variar entre zero e US$ 2 bilhões.
Dependendo desse cenário, o valor final da fusão poderia oscilar de aproximadamente US$ 27,75 a US$ 26,98 por ação. Em uma hipótese extrema e considerada improvável, o valor mínimo poderia cair ainda mais.
A WBD argumenta que qualquer redução de dívida na Discovery Global tende a aumentar o valor das ações dessa nova empresa, compensando eventuais ajustes no pagamento em dinheiro.
Consultores financeiros indicaram faixas de valor estimadas para a Discovery Global que variam conforme a metodologia adotada, inclusive com possibilidade de valorização maior em caso de venda futura.
A Paramount contesta essa visão e sustenta que os acionistas não têm clareza suficiente sobre o valor final que receberão.
Pressão regulatória e próximos passos
Além da disputa entre empresas, há o fator regulatório. O acordo entre Netflix e WBD já foi submetido ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que solicitou informações adicionais, estendendo o prazo de análise.
Autoridades estaduais e internacionais também podem impor condições, exigir venda de ativos ou até tentar barrar a operação.
A aprovação dos acionistas da WBD será votada em reunião virtual marcada para março. A cisão que dará origem à Discovery Global, por sua vez, não depende dessa aprovação e deve ser concluída nos próximos meses.
O prazo de sete dias agora é decisivo. Se a Paramount apresentar uma proposta formal considerada melhor e final, a disputa pode ganhar novo capítulo.
Caso contrário, o caminho ficará livre para que a Netflix avance em uma das maiores transações do setor de mídia nos últimos anos.
