Facebook libera ferramenta para você controlar o algoritmo do Feed e dos Reels

Renê Fraga
6 min de leitura

Principais destaques

  • Preferências em linguagem natural: usuários poderão informar diretamente os temas que desejam acompanhar ou reduzir nas recomendações.
  • Mudanças nas recomendações: a Meta afirma que a inteligência artificial interpreta as preferências escritas e pode atualizar o conteúdo recomendado em tempo real.
  • Distribuição gradual: o recurso está sendo liberado progressivamente, sem previsão confirmada para chegar a todas as contas.

O Facebook está dando aos usuários uma maneira mais direta de influenciar o que aparece em suas telas.

Com o recurso Your Algorithm, anunciado pela Meta em 13 de outubro, será possível descrever em palavras os assuntos que você deseja ver com mais ou menos frequência no Feed e nos Reels.

🤔 Cansou de ver sempre a mesma coisa? Agora você pode explicar o motivo

O algoritmo do Facebook já utiliza sinais como curtidas, comentários, tempo de visualização e histórico de interações para decidir quais publicações aparecem para cada pessoa.

O problema é que esses sinais nem sempre representam aquilo que o usuário realmente deseja acompanhar. Assistir a um vídeo até o fim, por exemplo, não significa necessariamente querer ver dezenas de conteúdos semelhantes depois.

É justamente nessa lacuna que entra o Your Algorithm.

A nova ferramenta permite que as pessoas expressem suas preferências diretamente, em vez de depender exclusivamente de interações para ensinar ao sistema o que é relevante.

🔎 Onde encontrar: a área Your Algorithm pode ser acessada pelo menu de três pontos de publicações no Facebook. Nela, o usuário poderá adicionar e gerenciar assuntos que deseja encontrar no Feed e nos Reels.

✍️ A inteligência artificial tenta entender o que você quer dizer

A novidade não se limita a selecionar categorias predefinidas. Segundo a Meta, modelos de linguagem de grande porte ajudam os sistemas de recomendação a interpretar o contexto e a intenção das preferências escritas pelos usuários.

Na prática, isso abre espaço para instruções mais específicas sobre o conteúdo desejado.

Por exemplo, alguém interessado em tecnologia pode querer acompanhar novidades sobre inteligência artificial, mas reduzir vídeos sensacionalistas ou publicações repetitivas sobre o mesmo assunto.

O recurso também amplia as possibilidades de feedback. Depois que uma pessoa marca uma publicação como “Interessado” ou “Não tenho interesse”, o Facebook poderá apresentar perguntas adicionais para entender melhor sua escolha.

💡 A mudança importante: em vez de apenas reagir ao conteúdo que aparece, o usuário ganha uma maneira mais explícita de explicar ao algoritmo como gostaria que suas recomendações fossem ajustadas.

Isso não significa, porém, que uma única instrução terá prioridade sobre todos os outros sinais utilizados pelo sistema.

📱 O que muda para quem usa o Facebook?

A proposta é tornar o controle das recomendações mais acessível, sem exigir que as pessoas compreendam como funcionam os sistemas de classificação de conteúdo.

Entre as possibilidades práticas estão:

  • Descobrir novos assuntos: indicar interesses que gostaria de encontrar com maior frequência.
  • Reduzir conteúdos repetitivos: sinalizar temas que já não despertam interesse.
  • Refinar o Feed e os Reels: complementar as curtidas e o histórico de visualização com preferências expressas em palavras.

A Meta afirma que os ajustes podem produzir efeitos na mesma sessão. Ainda assim, a empresa não divulgou evidências independentes que quantifiquem quanto o recurso melhora a qualidade das recomendações.

Outro detalhe importante: a ferramenta não está necessariamente disponível para todos os usuários neste momento.

🎬 Criadores de conteúdo também podem sentir os efeitos

Para quem publica vídeos e mantém páginas no Facebook, a novidade levanta uma questão importante: o que acontece quando mais pessoas passam a declarar explicitamente os assuntos que não querem ver?

Se as preferências escritas influenciarem de maneira significativa a distribuição, alguns conteúdos poderão perder espaço nas recomendações para determinados públicos. Outros poderão ganhar visibilidade entre pessoas que manifestem interesse direto por seus temas.

Mas isso ainda é uma possibilidade, não um resultado comprovado.

A Meta não quantificou o peso das preferências escritas em comparação com outros sinais de classificação. Portanto, não há base suficiente para afirmar que o recurso provocará uma mudança generalizada no alcance orgânico das publicações.

⚠️ O ponto de atenção: o efeito dependerá de como as preferências serão interpretadas e combinadas com os demais critérios do algoritmo.

🌐 Uma tendência que vai além do Facebook

O movimento acompanha uma transformação mais ampla nas plataformas digitais: dar às pessoas mais ferramentas para personalizar o que descobrem e consomem.

YouTube, Spotify e Google também vêm ampliando recursos de personalização e controle de recomendações, embora com abordagens e funcionalidades diferentes.

A disputa não envolve apenas encontrar conteúdos relevantes. Também passa por permitir que cada pessoa tenha mais influência sobre a seleção automatizada que organiza sua experiência digital.

No Facebook, a questão agora é saber se o Your Algorithm conseguirá transformar instruções em linguagem natural em mudanças perceptíveis e duradouras, sem obrigar os usuários a corrigir o Feed constantemente.

A novidade pode representar um avanço no controle individual, mas seu sucesso dependerá de algo bastante simples: o algoritmo realmente aprenderá com aquilo que as pessoas dizem querer ver?

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Renê Fraga é fundador do Novidad.es e editor-chefe do Eurisko. Atua há mais de 20 anos com projetos digitais e produção de conteúdo, acompanhando de perto tendências em tecnologia, cultura pop, games, inovação, mobilidade e experiências gastronômicas. No Novidad.es, conecta leitores às novidades que moldam o cotidiano moderno.
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