Operação Colares transforma um dos maiores mistérios ufológicos do Brasil em suspense familiar

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • Um desaparecimento que atravessa gerações: livro de Luana Cruz parte dos relatos sobre as luzes de Colares para contar a história de um pescador que sumiu depois de seguir os fenômenos.
  • Mistério no coração da Amazônia: documentos, cartas e uma mensagem encontrada com um pescador ferido levam a protagonista a investigar o passado da própria família.
  • Ficção com identidade nortista: a obra combina suspense, ficção especulativa, relações familiares e elementos sobrenaturais com uma narrativa marcada pela Amazônia e pelas comunidades ribeirinhas.

Em 1977, a pequena ilha de Colares, no Pará, virou cenário de relatos sobre luzes misteriosas que apareciam no céu. O fenômeno chamou a atenção do Exército brasileiro e acabou associado à Operação Prato, investigação que se tornou um dos episódios mais conhecidos da ufologia brasileira.

Quase cinco décadas depois, aquelas histórias ganham uma nova camada de ficção.

É nesse território entre memória, mistério e imaginação que a escritora paraense Luana Cruz ambienta Operação Colares, seu livro de estreia na ficção especulativa, publicado pela Plataforma21.

E se o mistério tivesse ficado dentro da família? 👀

A protagonista é Laila Rosário, que deixou a região dez anos antes e não tinha planos de voltar. Até receber um telefonema da avó.

O retorno à ilha deveria ser breve, motivado por uma despedida. Mas tudo muda quando um pescador é encontrado ferido carregando uma mensagem relacionada ao avô de Laila, Josué Rosário.

Ele desapareceu décadas antes, depois de sair para o mar seguindo as luzes que eram vistas sobre Colares.

Para alguns, Josué estava morto. Para outros, poderia ter sido abduzido.

Para a família, porém, permanecia uma pergunta muito mais difícil: o que realmente aconteceu?

🔎 A pista que muda a história: a mensagem encontrada nas águas faz Laila perceber que o desaparecimento do avô talvez esconda algo diferente da versão que atravessou gerações.

O passado começa a deixar rastros 📜

Ao lado de sua antiga melhor amiga, Elis Raiol, Laila começa a reconstruir os últimos passos de Josué.

Documentos, cartas e registros deixados pelo pescador passam a funcionar como peças de um quebra-cabeça. E, quanto mais as duas investigam, menos simples parece a história contada durante décadas.

As luzes continuam presentes, mas a narrativa não se limita à possibilidade de uma explicação extraterrestre.

A investigação conduz as personagens para uma trama mais concreta e sombria, na qual os acontecimentos do passado continuam produzindo consequências no presente.

💡 O mistério não está apenas no céu: em Operação Colares, a pergunta sobre as luzes também serve para investigar aquilo que uma comunidade escolheu esconder, preservar ou esquecer.

Uma história de ufologia que também fala de pertencimento 🌎

A obra usa um episódio associado à história da ufologia brasileira como ponto de partida, mas amplia o foco para temas muito mais próximos da experiência humana.

Luto, identidade, pertencimento, memória e relações familiares atravessam a investigação de Laila.

E existe ainda outro personagem importante: o próprio território.

Luana Cruz constrói a história a partir de sua relação com o Pará e a Amazônia, valorizando pescadores, comunidades ribeirinhas e os vínculos entre os moradores.

🌊 O cenário também conta a história: a Amazônia não aparece apenas como pano de fundo exótico. Ela está ligada à identidade dos personagens e à memória que sustenta o mistério.

As histórias de pescadores estão no centro 🎣

A escolha da autora pela Engenharia de Pesca não foi exatamente uma coincidência.

Formada na área, Luana conta que acredita que as melhores histórias são as de pescadores. Sua escrita também nasce dos causos que ouviu durante a infância, especialmente aqueles contados por sua mãe.

Essa memória pessoal ajuda a explicar a maneira como Operação Colares aproxima o fantástico do cotidiano.

As luzes misteriosas dividem espaço com famílias, amizades, perdas e conflitos de uma comunidade. O sobrenatural existe, mas não apaga a dimensão humana da história.

“Não somos lendas” 🇧🇷

A identidade nortista é uma das marcas mais evidentes do projeto literário.

A autora resume essa perspectiva ao afirmar:

“Não somos lendas, não somos folclore, não somos estrangeiros: somos a vida que pulsa na raiz do país.”

A frase também ajuda a entender a proposta do livro. Em vez de tratar a Amazônia apenas como cenário de mistérios, a narrativa procura colocar seus habitantes no centro da história.

Laila, Elis e os demais personagens vivem em uma comunidade marcada por relações que continuam existindo mesmo quando os acontecimentos do passado parecem enterrados.

E se a resposta for mais humana do que extraterrestre? 🛸

É justamente essa tensão que movimenta o suspense.

O desaparecimento de Josué está ligado às luzes de Colares, mas a investigação de Laila gradualmente aponta para possibilidades que vão além da hipótese de uma abdução.

A protagonista precisa lidar com novos acontecimentos enquanto tenta entender quem sabia o quê, quais segredos foram preservados e por que determinadas pessoas estariam dispostas a proteger ou transformar a vida daqueles ao redor.

O resultado é uma história que utiliza a ufologia como porta de entrada para uma investigação sobre família, memória e poder dentro de uma comunidade.

Um thriller amazônico com romance e sobrenatural 📚

Operação Colares combina diferentes elementos em uma mesma narrativa:

• thriller de suspense;
• ficção especulativa brasileira;
• mistério;
• romance LGBTQIA+;
• elementos sobrenaturais;
• relações familiares e memória.

A edição de 2026 tem 328 páginas e classificação indicativa para leitores a partir de 16 anos.

InformaçãoDetalhe
TítuloOperação Colares
AutoraLuana Cruz
EditoraPlataforma21
Edição1ª, 2026
Páginas328
GêneroThriller de suspense, ficção especulativa BR, mistério e romance LGBTQIA+
Idade recomendada16+
PreçoR$ 84,90
ISBN físico978-6550080945
ISBN e-book6550080940

Da ilha de Colares para São Paulo ✍️

Luana Cruz nasceu no Pará e cresceu cercada por histórias de família. Mais tarde, deixou Belém rumo a São Paulo, levando consigo os sonhos e as memórias que acabariam alimentando sua literatura.

Operação Colares representa sua estreia na ficção especulativa e é apresentado pela autora como um manifesto de amor e saudade da Amazônia.

A própria trajetória profissional também permanece conectada ao universo do livro: Luana se formou em Engenharia de Pesca justamente por considerar que as histórias de pescadores estão entre as melhores que existem.

📖 Para quem gosta de mistérios reais: o livro pode interessar especialmente a leitores atraídos por ufologia, acontecimentos históricos cercados de relatos extraordinários e histórias que transformam casos reais em ficção.

Operação Colares está disponível por R$ 84,90 na Amazon, na VR-Commerce e nas principais livrarias.

E talvez seja justamente essa a graça de voltar a Colares quase 50 anos depois: as luzes podem ter desaparecido do céu, mas algumas perguntas continuam esperando por uma resposta.

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Renê Fraga é fundador do Novidad.es e editor-chefe do Eurisko. Atua há mais de 20 anos com projetos digitais e produção de conteúdo, acompanhando de perto tendências em tecnologia, cultura pop, games, inovação, mobilidade e experiências gastronômicas. No Novidad.es, conecta leitores às novidades que moldam o cotidiano moderno.
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