Philips leva IA ao ultrassom para acelerar exames de alto volume

Renê Fraga
8 min de leitura

Principais destaques

  • IA no exame: o Alturion Elevate Plus automatiza parte das medições em exames de ultrassom abdominal e auxilia na aquisição de imagens.
  • Mais integração: o equipamento compartilha interface e transdutores com sistemas como EPIQ Elite e Affiniti, facilitando a adaptação das equipes.
  • Conectividade e mobilidade: o sistema combina design compacto com recursos de telessaúde para colaboração, treinamento e suporte remoto.

A Philips acaba de lançar no Brasil o Alturion, novo sistema de ultrassom desenvolvido para serviços de diagnóstico por imagem que precisam lidar com grandes volumes de exames.

A proposta é colocar diferentes recursos no mesmo equipamento: inteligência artificial, processamento de imagem, conectividade e mobilidade. Na prática, a companhia quer reduzir etapas manuais e ajudar as equipes a manter uma execução mais ágil e padronizada dos exames.

O lançamento acontece em um cenário em que hospitais e clínicas buscam fazer mais com a mesma estrutura. E, no ultrassom, essa equação tem uma particularidade: além do equipamento, boa parte do resultado depende diretamente da atuação do profissional.

A IA entra justamente onde há trabalho repetitivo 🤖

Na versão Elevate Plus, o Alturion incorpora recursos baseados em inteligência artificial voltados para exames de ultrassom abdominal.

A tecnologia automatiza parte das medições e auxilia na aquisição das imagens. Isso significa menos etapas manuais durante o procedimento e, potencialmente, mais consistência na realização dos exames.

⏱️ O ganho esperado: em ambientes com muitos pacientes, pequenos ganhos de tempo em cada exame podem fazer diferença na capacidade de atendimento ao longo do dia.

A automação também pode favorecer a reprodutibilidade dos exames, especialmente em instituições nas quais diferentes profissionais ou unidades precisam seguir processos semelhantes.

💡 A ideia não é tirar o profissional da equação, mas reduzir o trabalho repetitivo ao redor dele.

Esse ponto é especialmente relevante porque a ultrassonografia continua sendo um exame dinâmico e dependente do operador. A tecnologia pode automatizar determinadas tarefas, mas a interpretação e a investigação durante o exame continuam associadas à atuação humana.

O ultrassom está deixando de ser apenas uma tela 📡

Para a médica radiologista Dra. Fernanda Cavallieri, o papel da ultrassonografia também vem mudando.

Segundo ela, o exame deixou de ser visto apenas como uma ferramenta para detectar doenças já avançadas e passou a ocupar um espaço importante na medicina preventiva e na qualidade de vida.

Com imagens mais precisas e recursos tecnológicos modernos, a expectativa é permitir uma atuação mais precoce em determinados casos, reduzindo também procedimentos desnecessários.

Mas há uma ressalva importante.

🩺 A tecnologia tem limite: Cavallieri destaca que o ultrassom é um exame dinâmico, no qual a observação em tempo real e a interação com o paciente continuam fundamentais para um diagnóstico individualizado.

E tem mais do que IA no equipamento

O Alturion também incorpora a arquitetura de processamento DNA Philips, desenvolvida para oferecer resposta rápida e visualização das imagens.

Outro elemento é o formato do equipamento.

O design compacto foi pensado para facilitar a movimentação dentro dos serviços de saúde, inclusive em aplicações à beira-leito. Isso amplia as possibilidades de utilização em diferentes áreas de uma instituição.

🚑 Mobilidade também é produtividade: um equipamento que pode circular entre ambientes ajuda a aproveitar melhor a infraestrutura disponível, especialmente quando a demanda varia entre departamentos.

A adaptação das equipes pode ser mais simples

Outro aspecto do Alturion está na integração com o ecossistema de ultrassom da Philips.

O sistema utiliza uma interface de usuário comum e é compatível com transdutores intercambiáveis de equipamentos como EPIQ Elite e Affiniti.

Para hospitais e clínicas que já utilizam essas plataformas, a estratégia pode facilitar a familiarização dos profissionais com o novo equipamento.

Isso também pode ajudar organizações com diferentes departamentos ou unidades a manter fluxos de trabalho mais consistentes.

Quando o especialista não está no mesmo lugar 🌐

A conectividade é outro componente da proposta.

Os sistemas de ultrassom de imagem geral da Philips são compatíveis com o Collaboration Live, solução de telessaúde que permite conectar profissionais em tempo real.

O recurso pode ser utilizado em situações de:

• suporte remoto;

• treinamento de equipes;

• colaboração clínica;

• compartilhamento de conhecimento especializado.

🔎 O detalhe interessante: em organizações distribuídas geograficamente, a tecnologia pode aproximar profissionais experientes de equipes que estão realizando exames em outras unidades.

Isso não elimina a necessidade de profissionais capacitados no local, mas cria uma camada adicional de colaboração que pode ser útil em estruturas com equipes espalhadas.

Mais exames, mais pressão sobre a operação 📈

A discussão em torno do Alturion vai além da qualidade da imagem.

Em serviços de diagnóstico com alto volume, cada etapa do processo pode impactar a capacidade de atendimento. Medições, aquisição de imagens, deslocamento do equipamento e adaptação de diferentes profissionais fazem parte dessa equação.

Por isso, a Philips posiciona o novo sistema como uma ferramenta voltada também à eficiência operacional.

RecursoPossível impacto no fluxo
IA para mediçõesRedução de etapas manuais
Interface compartilhadaFamiliarização mais rápida das equipes
Transdutores intercambiáveisMaior integração entre sistemas
Design compactoMais mobilidade dentro da instituição
Collaboration LiveSuporte e colaboração remotos

A combinação desses recursos busca atender justamente a um desafio que cresce junto com a demanda por diagnóstico: aumentar a capacidade sem transformar produtividade em sinônimo de pressa.

A tecnologia pode acelerar, mas não examina sozinha

Na avaliação de Cavallieri, a chegada da IA representa mais uma etapa na evolução dos exames de imagem.

A médica afirma que a inteligência artificial pode atuar como uma parceira na discussão clínica, auxiliando na análise de dados e acelerando decisões em situações complexas.

Ao mesmo tempo, ela reforça que a ultrassonografia mantém uma característica que não desaparece com a automação: a necessidade de investigação em tempo real pelo profissional.

🧠 É aí que a promessa do Alturion fica mais clara: usar a tecnologia para cuidar de parte do processo, enquanto o profissional continua responsável pelo olhar clínico e pela condução dinâmica do exame.

Para hospitais e clínicas que realizam grandes quantidades de ultrassonografias, a questão agora passa a ser menos sobre simplesmente ter IA no equipamento e mais sobre quanto dessa automação consegue efetivamente melhorar o fluxo de trabalho.

E, conforme esses sistemas se tornam mais conectados e automatizados, essa resposta deverá aparecer não apenas na tela do ultrassom, mas também no tempo de atendimento, na padronização dos processos e na capacidade das equipes de lidar com uma demanda cada vez maior.

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Renê Fraga é fundador do Novidad.es e editor-chefe do Eurisko. Atua há mais de 20 anos com projetos digitais e produção de conteúdo, acompanhando de perto tendências em tecnologia, cultura pop, games, inovação, mobilidade e experiências gastronômicas. No Novidad.es, conecta leitores às novidades que moldam o cotidiano moderno.
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