Windows 11 fica até 20% mais responsivo em PCs com 8 GB de RAM, diz Microsoft

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • Sistema mais ágil: a Microsoft afirma que o Windows 11 ficou até 20% mais responsivo em computadores com 8 GB de memória.
  • Multitarefa mais rápida: um teste de laboratório registrou ganhos de até 40% ao executar várias tarefas simultaneamente.
  • Menos pressão sobre a RAM: mudanças no gerenciamento de memória e nos aplicativos buscam melhorar o desempenho sem exigir mais hardware.

A Microsoft quer mudar a percepção de que 8 GB de RAM já não são suficientes para rodar o Windows 11 com conforto. A empresa anunciou nesta terça-feira, 3 de novembro, melhorias de desempenho que prometem tornar o sistema operacional mais ágil, especialmente em computadores com pouca memória.

As mudanças chegam em um momento complicado para quem pretende comprar um PC novo. A demanda por componentes para infraestrutura de inteligência artificial pressiona os preços da memória, tornando mais difícil justificar a compra de máquinas com configurações mais robustas.

Pavan Davuluri, vice-presidente executivo de Windows + Devices, detalhou as otimizações em uma publicação no Windows Experience Blog.

💡 A proposta é fazer mais com o hardware que o usuário já tem, em vez de transformar a falta de memória em um motivo para trocar de computador.

🚀 De onde vêm os 20% de melhoria?

Segundo a Microsoft, o ganho de até 20% na capacidade de resposta foi calculado a partir de dados de telemetria relacionados a tarefas comuns do Windows, comparando o desempenho atual com o das versões de janeiro de 2026.

Entre as operações avaliadas estão:

  • A abertura do menu Iniciar e o uso da Pesquisa.
  • Os menus acionados com o botão direito do mouse.
  • A navegação pelas Configurações.
  • O uso da Ferramenta de Captura.
  • A abertura e a navegação pelo Explorador de Arquivos.

Essas atividades fazem parte da rotina de praticamente qualquer usuário. Por isso, pequenas reduções de latência podem tornar a experiência mais fluida, mesmo sem alterar a capacidade de processamento do computador.

🔎 Mas há um detalhe: os 20% representam um resultado agregado de tarefas específicas. Isso não significa que todos os programas ou jogos passarão a funcionar 20% mais rápido.

Multitarefa até 40% mais rápida, mas com ressalvas

O segundo número divulgado pela Microsoft chama ainda mais atenção. A empresa afirma ter registrado uma melhoria de até 40% em um cenário de multitarefa.

O resultado veio de um teste realizado em um HP OmniBook 3 equipado com processador Snapdragon X Plus. Durante a avaliação, o computador precisou abrir e executar uma sequência de atividades que incluía:

  • 20 abas do navegador Microsoft Edge;
  • reprodução de um vídeo em 4K;
  • arquivos grandes do Microsoft Office;
  • Outlook;
  • Explorador de Arquivos.

A Microsoft ressalta que o teste não é um benchmark padronizado. Portanto, o resultado demonstra o comportamento do sistema naquele cenário específico, e não uma vantagem universal sobre versões anteriores do Windows.

Ainda assim, o teste aponta para uma questão importante: em computadores com pouca memória, a velocidade percebida depende não apenas do processador, mas também de como o sistema administra os recursos disponíveis.

🧠 O Windows vai aproveitar melhor a memória

Uma das principais mudanças está na compressão de memória.

Em vez de transferir imediatamente parte dos dados para o armazenamento do computador quando a RAM começa a ficar ocupada, o Windows comprime determinados dados e mantém mais informações disponíveis na memória física.

Segundo as informações divulgadas, os ajustes para sistemas com 8 GB podem permitir manter até 2 GB adicionais de dados ativos na RAM, reduzindo a necessidade de recorrer a um SSD ou HD, que são mais lentos do que a memória principal.

Isso não significa que o computador ganhou 2 GB físicos de RAM. Trata-se de uma melhoria na forma como o sistema administra e comprime os dados.

⚙️ Outra mudança acontece nos bastidores: o Windows também reduz determinadas tarefas em segundo plano, como a indexação da Pesquisa, enquanto o usuário está utilizando o computador. A ideia é diminuir a disputa por recursos durante as atividades interativas.

Aplicativos também entram na conta

Não adianta otimizar o sistema operacional se os próprios aplicativos continuam consumindo memória desnecessariamente. Por isso, a Microsoft também está ajustando seus programas.

Aplicativo ou recursoMudança anunciada
Microsoft EdgeAbas inativas passam a entrar em repouso após 15 minutos, em vez de duas horas
Word, Excel, PowerPoint e OutlookRedução combinada de aproximadamente 360 MB no consumo de memória
Widgets do WindowsCarregamento apenas quando o recurso é aberto, economizando cerca de 200 MB
Microsoft TeamsModo de Eficiência pode ser ativado por padrão em PCs com 8 GB

O comportamento das abas do Edge merece atenção. Ao suspender abas que não estão sendo utilizadas, o navegador pode liberar recursos para outros programas sem exigir que o usuário feche todas as páginas abertas.

No Teams, a Microsoft afirma que o aplicativo pode iniciar até 20% mais rápido com as otimizações. Durante reuniões, o gerenciamento de recursos também pode reduzir a resolução da câmera para ajudar a preservar o desempenho do áudio.

Esses ajustes podem fazer diferença em notebooks de entrada, nos quais navegador, videoconferência e aplicativos de escritório frequentemente disputam a mesma memória limitada.

💻 A atualização não transforma 8 GB em 16 GB

Apesar dos ganhos anunciados, há um limite físico que o software não consegue eliminar.

Computadores com 8 GB de RAM continuam tendo menos espaço para manter vários aplicativos pesados abertos ao mesmo tempo. E, quando a memória fica muito pressionada, a compressão não substitui a capacidade adicional de RAM.

O cenário também depende dos programas utilizados. Navegadores com muitas abas, editores de vídeo, jogos modernos e ferramentas de inteligência artificial podem exigir muito mais memória do que tarefas simples de escritório.

O desempenho ainda pode variar conforme o processador, o tipo de armazenamento, os aplicativos instalados e os programas que iniciam junto com o Windows.

⚠️ Há também um ponto fora do controle da Microsoft: aplicativos de terceiros. Se programas como o Google Chrome continuarem consumindo grandes quantidades de memória, parte dos ganhos obtidos com a otimização do sistema poderá ser limitada.

Como receber as melhorias

De acordo com as informações divulgadas, os usuários precisam atender aos seguintes requisitos para receber o conjunto de mudanças:

  • Windows 11 versão 26H2, build 26300.9818 ou posterior;
  • Microsoft Edge atualizado;
  • Aplicativos do Microsoft 365 atualizados;
  • Microsoft Teams atualizado.

A disponibilidade de cada otimização pode depender da versão instalada e da distribuição das atualizações.

A Microsoft também planeja continuar trabalhando no gerenciamento de memória e no compartilhamento de componentes entre recursos do sistema. Entre as iniciativas mencionadas estão a possibilidade de a Pesquisa e os Widgets compartilharem um mecanismo web, além de um componente comum para OneDrive e Fotos.

Vale a pena continuar usando um PC com 8 GB?

Para navegação, estudos, documentos e tarefas cotidianas, as otimizações podem prolongar a vida útil de computadores que ainda atendem às necessidades do usuário.

O benefício potencial é particularmente relevante em um mercado no qual atualizar o equipamento pode custar mais caro. Melhorar o aproveitamento da memória existente é uma alternativa útil, mesmo que não substitua uma expansão física quando ela for necessária.

A questão é saber quanto dessas melhorias será percebido fora dos testes da Microsoft, especialmente em computadores com muitos aplicativos instalados e programas de terceiros.

Se as otimizações se confirmarem no uso diário, os 8 GB poderão continuar sendo uma configuração viável para tarefas básicas por mais tempo. Mas, para quem trabalha com cargas pesadas, a memória adicional continuará sendo uma vantagem importante.

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Renê Fraga é fundador do Novidad.es e editor-chefe do Eurisko. Atua há mais de 20 anos com projetos digitais e produção de conteúdo, acompanhando de perto tendências em tecnologia, cultura pop, games, inovação, mobilidade e experiências gastronômicas. No Novidad.es, conecta leitores às novidades que moldam o cotidiano moderno.
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