- Um banco digital com 16 milhões de clientes 🇬🇧
- E quanto custaria essa brincadeira? 💰
- O Monzo também tem um plano B — e C 🔎
- Por que o Nubank está olhando para fora? 🌎
- Tem até um ex-Nubank no meio da história 👀
- O concorrente que aparece inevitavelmente: Revolut ⚔️
- Mas o Monzo também está mudando de rota 📱
- O próximo passo do Nubank pode ser bem maior
Principais destaques
- Uma negociação bilionária: Nubank estaria em conversas preliminares para adquirir o britânico Monzo, em uma operação estimada entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões.
- 16 milhões de clientes na mira: O Monzo é um dos principais bancos digitais do Reino Unido e registrou £ 1,7 bilhão em receita no último ano fiscal.
- Mais que uma aquisição: O movimento reforçaria a estratégia internacional do Nubank, que acaba de iniciar sua operação nos EUA e já investiu na fintech Tyme, de Singapura.
O Nubank pode estar prestes a fazer sua maior aposta internacional até agora.
Segundo informações inicialmente publicadas pela Sky News e posteriormente confirmadas pelo Financial Times e pelo Brazil Journal, o banco digital brasileiro está em conversas preliminares para adquirir o Monzo, uma das maiores fintechs do Reino Unido.
Se o negócio avançar, não será uma simples compra de participação em uma startup estrangeira. Será uma operação potencialmente avaliada entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões, ou algo na casa das dezenas de bilhões de reais.
E o ativo que estaria no centro dessa negociação já tem escala.
Um banco digital com 16 milhões de clientes 🇬🇧
Fundado em 2015 por Tom Blomfield, o Monzo cresceu rapidamente no mercado britânico ao apostar em uma experiência bancária totalmente digital.
Hoje, a empresa possui cerca de 16 milhões de clientes:
• 15 milhões de pessoas físicas
• 1 milhão de clientes empresariais
O banco está presente na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, além de avançar para mercados como Irlanda e Espanha.
A operação também já deixou de ser apenas uma história de crescimento acelerado.
💷 O tamanho da operação: no ano fiscal encerrado em março, o Monzo registrou £ 1,7 bilhão em receita, alta de 39% em relação ao ano anterior. O lucro antes de impostos chegou a £ 172,6 milhões, crescimento de 20%.
Ou seja: o Nubank estaria olhando para uma fintech que já possui escala, marca, clientes e rentabilidade.
E há outro detalhe importante.
O Monzo já não é uma aposta de futuro. É uma operação bancária digital madura que o Nubank poderia incorporar à sua estratégia global.
E quanto custaria essa brincadeira? 💰
A avaliação estimada para uma eventual transação ficaria entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões.
Para colocar isso em perspectiva, na última rodada de investimentos, realizada em 2024, o Monzo foi avaliado em £ 5,2 bilhões, em valor pós-investimento.
Isso significa que uma eventual aquisição aconteceria com um prêmio significativo sobre aquela avaliação.
A estrutura também não necessariamente seria composta apenas por dinheiro.
A operação poderia envolver uma combinação de recursos financeiros e ações do Nubank, embora ainda não exista um cronograma definido para a conclusão das conversas.
O Monzo, por sua vez, avalia outras alternativas.
O Monzo também tem um plano B — e C 🔎
A fintech britânica está trabalhando com Morgan Stanley e Qatalyst para levantar recursos destinados à expansão na Europa continental.
Uma das possibilidades seria realizar uma nova rodada de investimentos, com venda de uma participação de até 15% para fundos de venture capital.
Outra alternativa seria justamente o mercado de capitais.
A empresa poderia abrir seu capital em Londres ou até realizar uma listagem dupla, envolvendo Londres e Nova York.
A pressão para uma eventual abertura de capital em Londres também tem um componente institucional: o governo britânico e a própria Bolsa de Londres vêm defendendo que grandes empresas britânicas permaneçam ou sejam listadas no mercado local, em vez de escolherem exclusivamente os EUA.
Por que o Nubank está olhando para fora? 🌎
A possível aquisição não aparece isoladamente.
O Nubank vem ampliando sua ambição internacional.
A empresa de David Vélez acaba de iniciar sua operação nos Estados Unidos e, no fim de 2024, investiu US$ 150 milhões na Tyme, fintech sediada em Singapura com operações nas Filipinas e na África do Sul.
A lógica parece ir além de simplesmente exportar o modelo brasileiro.
O Nubank pode estar construindo uma presença internacional por meio de diferentes ativos digitais, mercados e modelos de negócio.
E o Monzo encaixaria nessa estratégia com uma característica particularmente valiosa: uma grande base de clientes em um mercado desenvolvido.
Tem até um ex-Nubank no meio da história 👀
As conexões entre as duas empresas não param nos negócios.
O atual CFO do Monzo, Tom Oldman, foi responsável pelo planejamento financeiro e análise global do Nubank entre 2019 e 2023.
É uma pequena conexão, mas ajuda a explicar por que as culturas e estratégias das duas empresas podem não ser tão distantes quanto parecem.
O Monzo também já atraiu investidores de peso ao longo de sua trajetória.
Foram 11 rodadas de investimento, do seed à Série I, com nomes como Alphabet, GIC, Tencent, Goodwater e Thrive entre os investidores.
O concorrente que aparece inevitavelmente: Revolut ⚔️
Existe ainda uma questão competitiva.
O Monzo disputa espaço com a Revolut, fintech que se tornou uma das maiores plataformas financeiras digitais do mundo.
A Revolut afirma possuir cerca de 80 milhões de clientes em 40 países, colocando uma eventual expansão internacional do Monzo em uma perspectiva diferente.
O Monzo tem força particularmente relevante no Reino Unido, enquanto a Revolut construiu uma presença muito mais ampla geograficamente.
Uma aquisição pelo Nubank poderia, portanto, conectar duas empresas que possuem forças complementares: de um lado, a escala internacional crescente do Nubank; de outro, a posição consolidada do Monzo no mercado britânico.
Mas o Monzo também está mudando de rota 📱
A empresa passou por mudanças importantes em sua liderança.
No início do ano, TS Anil, executivo com mais de três décadas de experiência no setor bancário, deixou o cargo de CEO. Pouco depois, Gary Hoffman, presidente do conselho responsável pela mudança, também deixou a posição.
Desde fevereiro, o banco é comandado por Diana Layfield, executiva que passou por empresas como Google e Standard Chartered.
A nova estratégia parece ter colocado a expansão europeia no centro da agenda.
Layfield encerrou a operação do Monzo nos Estados Unidos para concentrar recursos na Europa e também busca novas fontes de receita.
Uma delas é bastante curiosa.
📡 Banco + telecom: o Monzo lançou recentemente uma rede de telefonia móvel baseada exclusivamente em eSIMs.
É mais um sinal de que os bancos digitais estão deixando de pensar apenas em conta, cartão e crédito.
O próximo passo do Nubank pode ser bem maior
A possível compra do Monzo colocaria o Nubank em uma situação particularmente interessante.
A companhia já possui uma enorme base de clientes na América Latina, começou a construir sua operação americana e investiu em uma fintech com presença na Ásia e na África.
Agora, poderia adicionar um banco digital de 16 milhões de clientes em um dos maiores mercados financeiros da Europa.
Ainda é cedo.
As conversas são preliminares, não existe um cronograma para uma transação e o Monzo possui alternativas próprias de financiamento e abertura de capital.
Mas a direção estratégica é difícil de ignorar.
O Nubank começou como uma tentativa de reinventar o cartão de crédito no Brasil. Depois virou banco. Agora, está procurando construir uma plataforma financeira que atravesse fronteiras.
A pergunta é até onde essa estratégia pode chegar antes que o próprio conceito de “banco brasileiro” deixe de descrever adequadamente a empresa.
