Nubank negocia compra de banco britânico por até R$ 68,6 bilhões

Renê Fraga
9 min de leitura

Principais destaques

  • Uma negociação bilionária: Nubank estaria em conversas preliminares para adquirir o britânico Monzo, em uma operação estimada entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões.
  • 16 milhões de clientes na mira: O Monzo é um dos principais bancos digitais do Reino Unido e registrou £ 1,7 bilhão em receita no último ano fiscal.
  • Mais que uma aquisição: O movimento reforçaria a estratégia internacional do Nubank, que acaba de iniciar sua operação nos EUA e já investiu na fintech Tyme, de Singapura.

O Nubank pode estar prestes a fazer sua maior aposta internacional até agora.

Segundo informações inicialmente publicadas pela Sky News e posteriormente confirmadas pelo Financial Times e pelo Brazil Journal, o banco digital brasileiro está em conversas preliminares para adquirir o Monzo, uma das maiores fintechs do Reino Unido.

Se o negócio avançar, não será uma simples compra de participação em uma startup estrangeira. Será uma operação potencialmente avaliada entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões, ou algo na casa das dezenas de bilhões de reais.

E o ativo que estaria no centro dessa negociação já tem escala.

Um banco digital com 16 milhões de clientes 🇬🇧

Fundado em 2015 por Tom Blomfield, o Monzo cresceu rapidamente no mercado britânico ao apostar em uma experiência bancária totalmente digital.

Hoje, a empresa possui cerca de 16 milhões de clientes:

• 15 milhões de pessoas físicas
• 1 milhão de clientes empresariais

O banco está presente na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, além de avançar para mercados como Irlanda e Espanha.

A operação também já deixou de ser apenas uma história de crescimento acelerado.

💷 O tamanho da operação: no ano fiscal encerrado em março, o Monzo registrou £ 1,7 bilhão em receita, alta de 39% em relação ao ano anterior. O lucro antes de impostos chegou a £ 172,6 milhões, crescimento de 20%.

Ou seja: o Nubank estaria olhando para uma fintech que já possui escala, marca, clientes e rentabilidade.

E há outro detalhe importante.

O Monzo já não é uma aposta de futuro. É uma operação bancária digital madura que o Nubank poderia incorporar à sua estratégia global.

E quanto custaria essa brincadeira? 💰

A avaliação estimada para uma eventual transação ficaria entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões.

Para colocar isso em perspectiva, na última rodada de investimentos, realizada em 2024, o Monzo foi avaliado em £ 5,2 bilhões, em valor pós-investimento.

Isso significa que uma eventual aquisição aconteceria com um prêmio significativo sobre aquela avaliação.

A estrutura também não necessariamente seria composta apenas por dinheiro.

A operação poderia envolver uma combinação de recursos financeiros e ações do Nubank, embora ainda não exista um cronograma definido para a conclusão das conversas.

O Monzo, por sua vez, avalia outras alternativas.

O Monzo também tem um plano B — e C 🔎

A fintech britânica está trabalhando com Morgan Stanley e Qatalyst para levantar recursos destinados à expansão na Europa continental.

Uma das possibilidades seria realizar uma nova rodada de investimentos, com venda de uma participação de até 15% para fundos de venture capital.

Outra alternativa seria justamente o mercado de capitais.

A empresa poderia abrir seu capital em Londres ou até realizar uma listagem dupla, envolvendo Londres e Nova York.

A pressão para uma eventual abertura de capital em Londres também tem um componente institucional: o governo britânico e a própria Bolsa de Londres vêm defendendo que grandes empresas britânicas permaneçam ou sejam listadas no mercado local, em vez de escolherem exclusivamente os EUA.

Por que o Nubank está olhando para fora? 🌎

A possível aquisição não aparece isoladamente.

O Nubank vem ampliando sua ambição internacional.

A empresa de David Vélez acaba de iniciar sua operação nos Estados Unidos e, no fim de 2024, investiu US$ 150 milhões na Tyme, fintech sediada em Singapura com operações nas Filipinas e na África do Sul.

A lógica parece ir além de simplesmente exportar o modelo brasileiro.

O Nubank pode estar construindo uma presença internacional por meio de diferentes ativos digitais, mercados e modelos de negócio.

E o Monzo encaixaria nessa estratégia com uma característica particularmente valiosa: uma grande base de clientes em um mercado desenvolvido.

Tem até um ex-Nubank no meio da história 👀

As conexões entre as duas empresas não param nos negócios.

O atual CFO do Monzo, Tom Oldman, foi responsável pelo planejamento financeiro e análise global do Nubank entre 2019 e 2023.

É uma pequena conexão, mas ajuda a explicar por que as culturas e estratégias das duas empresas podem não ser tão distantes quanto parecem.

O Monzo também já atraiu investidores de peso ao longo de sua trajetória.

Foram 11 rodadas de investimento, do seed à Série I, com nomes como Alphabet, GIC, Tencent, Goodwater e Thrive entre os investidores.

O concorrente que aparece inevitavelmente: Revolut ⚔️

Existe ainda uma questão competitiva.

O Monzo disputa espaço com a Revolut, fintech que se tornou uma das maiores plataformas financeiras digitais do mundo.

A Revolut afirma possuir cerca de 80 milhões de clientes em 40 países, colocando uma eventual expansão internacional do Monzo em uma perspectiva diferente.

O Monzo tem força particularmente relevante no Reino Unido, enquanto a Revolut construiu uma presença muito mais ampla geograficamente.

Uma aquisição pelo Nubank poderia, portanto, conectar duas empresas que possuem forças complementares: de um lado, a escala internacional crescente do Nubank; de outro, a posição consolidada do Monzo no mercado britânico.

Mas o Monzo também está mudando de rota 📱

A empresa passou por mudanças importantes em sua liderança.

No início do ano, TS Anil, executivo com mais de três décadas de experiência no setor bancário, deixou o cargo de CEO. Pouco depois, Gary Hoffman, presidente do conselho responsável pela mudança, também deixou a posição.

Desde fevereiro, o banco é comandado por Diana Layfield, executiva que passou por empresas como Google e Standard Chartered.

A nova estratégia parece ter colocado a expansão europeia no centro da agenda.

Layfield encerrou a operação do Monzo nos Estados Unidos para concentrar recursos na Europa e também busca novas fontes de receita.

Uma delas é bastante curiosa.

📡 Banco + telecom: o Monzo lançou recentemente uma rede de telefonia móvel baseada exclusivamente em eSIMs.

É mais um sinal de que os bancos digitais estão deixando de pensar apenas em conta, cartão e crédito.

O próximo passo do Nubank pode ser bem maior

A possível compra do Monzo colocaria o Nubank em uma situação particularmente interessante.

A companhia já possui uma enorme base de clientes na América Latina, começou a construir sua operação americana e investiu em uma fintech com presença na Ásia e na África.

Agora, poderia adicionar um banco digital de 16 milhões de clientes em um dos maiores mercados financeiros da Europa.

Ainda é cedo.

As conversas são preliminares, não existe um cronograma para uma transação e o Monzo possui alternativas próprias de financiamento e abertura de capital.

Mas a direção estratégica é difícil de ignorar.

O Nubank começou como uma tentativa de reinventar o cartão de crédito no Brasil. Depois virou banco. Agora, está procurando construir uma plataforma financeira que atravesse fronteiras.

A pergunta é até onde essa estratégia pode chegar antes que o próprio conceito de “banco brasileiro” deixe de descrever adequadamente a empresa.

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Renê Fraga é fundador do Novidad.es e editor-chefe do Eurisko. Atua há mais de 20 anos com projetos digitais e produção de conteúdo, acompanhando de perto tendências em tecnologia, cultura pop, games, inovação, mobilidade e experiências gastronômicas. No Novidad.es, conecta leitores às novidades que moldam o cotidiano moderno.
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