Instagram revela como seu algoritmo decide quem aparece no seu feed

Renê Fraga
10 min de leitura

Principais destaques

  • Recência pesa bastante: Adam Mosseri afirma que a proximidade do momento da publicação continua sendo um dos fatores importantes para a distribuição.
  • Engajamento importa mais que volume: para ampliar o alcance, criadores devem observar as taxas de interação, e não apenas o número bruto de visualizações ou curtidas.
  • Originalidade ganha espaço: o Instagram prioriza conteúdo original e usa testes com publicações de pequenos criadores para identificar materiais que podem interessar a novos públicos.

O algoritmo do Instagram costuma ser tratado como uma espécie de caixa-preta. Para quem publica, a pergunta é quase sempre a mesma: por que um post chega a milhares de pessoas enquanto outro, aparentemente semelhante, fica pelo caminho?

Adam Mosseri, chefe do Instagram, decidiu abrir um pouco essa caixa.

Em uma nova série de vídeos publicados em seu perfil, o executivo explicou como a plataforma organiza o conteúdo e deu algumas pistas para criadores e marcas entenderem melhor o que influencia a distribuição.

As explicações também chegam em um momento particular. O governo australiano discute novas regras relacionadas à influência dos algoritmos sobre o conteúdo que aparece para os usuários.

Afinal, por que o Instagram precisa de algoritmo? 🤖

A resposta de Mosseri começa por uma provocação simples: sem classificação algorítmica, o feed seria dominado por quem mais publica.

E aí existe um problema.

Empresas e marcas tendem a publicar com muito mais frequência do que usuários comuns e muitos criadores. Sem algum mecanismo de seleção, o conteúdo dessas contas poderia ocupar uma parcela desproporcional do feed.

📱 O objetivo declarado: fazer com que as pessoas encontrem conteúdo considerado relevante para elas e, ao mesmo tempo, consigam consumir mais publicações dentro do aplicativo.

Segundo Mosseri, sem essa classificação as pessoas veriam menos conteúdo no total e o alcance médio dos criadores também cairia.

Ou seja, o algoritmo não seria apenas uma ferramenta para escolher quem ganha alcance. Na visão apresentada pelo executivo, ele também existe para evitar que o próprio feed se torne pouco interessante.

O Instagram tenta prever o que você fará

O ranking não funciona apenas olhando para o conteúdo em si.

A plataforma utiliza modelos que fazem previsões sobre como cada usuário provavelmente reagirá a uma publicação.

Entre os comportamentos considerados estão ações como assistir a um vídeo ou compartilhá-lo com outra pessoa.

Isso ajuda a explicar por que duas pessoas podem abrir o Instagram e receber feeds completamente diferentes, mesmo seguindo algumas das mesmas contas.

💡 O ponto central: o Instagram não está simplesmente perguntando “este post é bom?”. O sistema tenta estimar “o que este usuário provavelmente fará com este post?”.

É uma diferença pequena na frase, mas enorme na lógica de distribuição.

E a ordem cronológica? Ainda importa bastante 🕐

Sim.

Mosseri reforçou que a recência continua tendo bastante peso no ranking. Por isso, segundo ele, o feed permanece “aproximadamente” em ordem cronológica.

Isso não significa que o Instagram simplesmente mostre as publicações mais recentes primeiro.

A plataforma combina o momento da publicação com suas previsões sobre o comportamento do usuário.

Na prática, um conteúdo mais antigo pode continuar aparecendo se o sistema entender que ele ainda é relevante, mas a passagem do tempo continua sendo um componente importante.

Curtidas ou engajamento?

Aqui aparece uma orientação especialmente relevante para quem trabalha com métricas.

Mosseri recomenda que os criadores olhem para taxas de engajamento, em vez de simplesmente observar totais de visualizações ou curtidas.

Isso muda a pergunta.

Em vez de perguntar apenas quantas pessoas viram determinado conteúdo, vale observar qual proporção do público efetivamente reagiu a ele.

Para equipes de social media, isso significa que o tamanho absoluto de uma audiência não conta toda a história. Um conteúdo com menos visualizações pode apresentar sinais de resposta proporcionalmente mais fortes.

🔎 Para quem mede performance: olhar apenas para números brutos pode esconder a qualidade da resposta obtida por uma publicação.

Quatro princípios estão por trás do ranking

Mosseri também apontou quatro princípios que ajudam a explicar a direção do algoritmo do Instagram.

PrincípioO que significa
OriginalidadeConteúdos originais e publicados pelo criador original recebem maior prioridade do que republicações.
RecênciaO momento da publicação influencia bastante a exposição do conteúdo.
Breaking contentPequenos criadores podem ter seus posts testados para públicos que ainda não os seguem.
Model sizeModelos de IA maiores analisam mais fatores e uma quantidade mais ampla de publicações para aprimorar o ranking.

Originalidade virou um sinal importante 🎯

O Instagram tenta favorecer quem produziu originalmente determinado conteúdo, reduzindo a vantagem de contas que simplesmente republicam materiais de terceiros.

Para criadores, a mensagem é relativamente direta: copiar um conteúdo que já funcionou não necessariamente significa reproduzir seu desempenho.

O sistema procura identificar a origem.

Pequenos criadores também entram no radar

Outro ponto interessante é o chamado “breaking content”.

Segundo Mosseri, o Instagram pode mostrar publicações de pequenos criadores que publicam publicamente para pessoas que ainda não seguem essas contas.

A ideia é testar a reação de novos públicos.

Se o conteúdo apresentar bons sinais, isso pode ajudar a ampliar sua distribuição.

🚀 É uma espécie de teste de mercado: antes de decidir até onde um conteúdo pode chegar, o sistema pode colocá-lo diante de uma audiência que ainda não conhece aquele criador.

E a inteligência artificial entra onde?

Em praticamente toda essa equação.

Mosseri afirmou que o Instagram ampliou seus modelos de IA para considerar mais fatores e analisar uma quantidade maior de publicações.

Isso significa que o sistema de recomendação está ficando menos dependente de sinais isolados.

Visualização, compartilhamento, comportamento do usuário, momento da publicação, origem do conteúdo e outros elementos podem participar da previsão.

É também uma explicação para a crescente complexidade do trabalho de quem tenta entender o algoritmo apenas por observação.

O Instagram não está trabalhando com uma única regra simples.

O usuário também pode treinar o próprio feed 👀

A relação não é totalmente unilateral.

O Instagram oferece ferramentas para que as próprias pessoas indiquem o que querem ou não querem ver.

Entre elas estão:

• Favoritos, para priorizar determinadas contas.

• Não tenho interesse, para sinalizar conteúdos que o usuário não quer receber.

• Your Algorithm, ferramenta que permite adicionar ou remover tópicos que o sistema associou aos interesses daquela pessoa.

Esses mecanismos funcionam como sinais diretos para o sistema de recomendação.

Em outras palavras, o algoritmo não apenas observa silenciosamente o comportamento. Em alguns casos, o usuário pode dizer explicitamente o que deseja alterar.

Mosseri quer que os criadores testem mais

Há ainda uma recomendação que pode parecer óbvia, mas ganha importância dentro dessa lógica: experimentar.

O executivo afirmou que criadores deveriam testar formatos e abordagens diferentes porque as tendências mudam.

Aquilo que funciona em uma semana pode perder força na seguinte.

Para isso, Mosseri apontou os Trial Reels, recurso criado para permitir que criadores experimentem conteúdos antes de decidir como incorporá-los à estratégia.

🧪 A lógica é quase científica: publicar, observar a resposta, aprender e ajustar.

Isso também reduz a dependência de uma única fórmula de conteúdo.

Publicar mais ainda pode fazer sentido

Existe, porém, um equilíbrio.

Segundo Mosseri, muitos criadores procuram publicar o máximo possível para aumentar as chances de acertar um conteúdo que tenha grande alcance.

Ao mesmo tempo, eles precisam administrar o tempo disponível e evitar o burnout.

A questão deixa de ser simplesmente “quanto mais, melhor”.

É preciso encontrar uma frequência que aumente as oportunidades de descoberta sem transformar a produção de conteúdo em uma corrida interminável.

O algoritmo continua sendo uma disputa de atenção

As explicações de Mosseri não eliminam o mistério em torno do Instagram. Mas ajudam a desenhar melhor o campo de jogo.

O sistema procura prever comportamentos, considera a recência, valoriza conteúdo original, testa publicações de criadores menores e utiliza modelos de IA cada vez mais amplos.

Para marcas e criadores, talvez a principal mudança de perspectiva esteja justamente aí.

Não existe apenas uma métrica para perseguir.

Existe uma combinação de sinais que muda conforme o comportamento das pessoas e conforme o próprio conteúdo disponível na plataforma.

No fim, o algoritmo continua tentando responder à mesma pergunta: o que vale a pena mostrar para esta pessoa, neste momento?

E, enquanto usuários continuarem mudando de interesse, essa resposta provavelmente continuará mudando também.

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Renê Fraga é fundador do Novidad.es e editor-chefe do Eurisko. Atua há mais de 20 anos com projetos digitais e produção de conteúdo, acompanhando de perto tendências em tecnologia, cultura pop, games, inovação, mobilidade e experiências gastronômicas. No Novidad.es, conecta leitores às novidades que moldam o cotidiano moderno.
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