Threads lança Dear Algo e coloca o controle do feed nas mãos dos usuários

Renê Fraga
4 min de leitura

Principais destaques

  • O Threads apresentou o Dear Algo, recurso com IA que permite ajustar o feed por meio de uma simples publicação
  • A personalização dura 72 horas e pode ser visualizada ou removida nas configurações
  • A novidade já está disponível nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia

A Meta anunciou nesta semana o lançamento do Dear Algo no Threads, um recurso movido por inteligência artificial que permite aos usuários influenciar diretamente o que aparece em seus feeds.

A proposta é simples e ousada ao mesmo tempo: basta escrever um pedido público direcionado ao algoritmo para que a plataforma ajuste as recomendações de conteúdo por até três dias.

A funcionalidade já começou a ser liberada para usuários nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia e representa uma nova fase na forma como redes sociais lidam com personalização.

Como funciona o Dear Algo

Para ativar o recurso, o usuário precisa iniciar uma publicação com a expressão “Dear Algo”, seguida do pedido específico. Por exemplo, alguém que deseja ver mais conteúdos sobre podcasts pode escrever algo como: “Dear Algo, quero ver mais posts sobre podcasts”.

A partir disso, o sistema passa a priorizar conteúdos relacionados ao tema solicitado durante 72 horas. Após esse período, a personalização expira automaticamente, mas pode ser reaplicada.

Outro detalhe importante é que as solicitações são públicas. Isso significa que outras pessoas podem visualizar esses pedidos e até republicá-los para aplicar as mesmas preferências em seus próprios feeds. Segundo a Meta, a ideia é transformar o ajuste do algoritmo em uma experiência coletiva, incentivando a descoberta de novos assuntos por meio das escolhas da comunidade.

Uma personalização mais direta e em linguagem natural

O Dear Algo nasceu de um comportamento espontâneo dos próprios usuários. Em dezembro, a empresa começou a testar a ferramenta depois de perceber que muitas pessoas já estavam tentando “conversar” com o algoritmo por meio de publicações.

Na época, o experimento foi apresentado por Mark Zuckerberg, com apoio de Connor Hayes, responsável pelo Threads. A proposta era clara: permitir que as pessoas expressem suas preferências em linguagem natural, sem depender apenas de botões como “Não tenho interesse” ou da necessidade de seguir ou deixar de seguir contas específicas.

Ainda assim, a empresa informou que pedidos que violem suas diretrizes de conteúdo ou princípios de recomendação poderão ser rejeitados.

Os usuários também conseguem acompanhar, nas configurações do aplicativo, quais solicitações estão ativas ou já expiraram. É possível excluir um pedido antes do prazo ou republicar um antigo para reativar a personalização.

Crescimento do Threads e disputa com o X

O lançamento acontece em um momento estratégico. O Threads segue ampliando sua base de usuários e intensificando a disputa com a plataforma rival X.

Dados recentes apontam que o Threads registrou, no início de janeiro, uma média de 143 milhões de usuários ativos diários em dispositivos móveis globalmente, superando os 126 milhões do X. Em agosto de 2025, a Meta já havia divulgado que o aplicativo alcançou 400 milhões de usuários ativos mensais.

Em comunicado oficial, a empresa reforçou que o Threads se posiciona como um espaço para acompanhar o que está acontecendo em tempo real. No entanto, reconheceu que os interesses das pessoas podem mudar rapidamente, e o feed precisa acompanhar esse ritmo.

Com o Dear Algo, a plataforma aposta em um modelo mais transparente e interativo de personalização, no qual o usuário deixa de ser apenas espectador e passa a dialogar diretamente com o algoritmo.

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Renê Fraga é fundador do Novidad.es e editor-chefe do Eurisko. Atua há mais de 20 anos com projetos digitais e produção de conteúdo, acompanhando de perto tendências em tecnologia, cultura pop, games, inovação, mobilidade e experiências gastronômicas. No Novidad.es, conecta leitores às novidades que moldam o cotidiano moderno.
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